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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

GAME OVER


Está mais do que claro. Nesses últimos dias não tenho atualizado mais esse blog como nos meses que se passaram. Pra qualquer pessoa isso poderia passar despercebido. "Está sem tempo" - concluiria qualquer um. "Correria" - diria o outro. "Tá Ocupado" - pensaria outra pessoa. Mas não.

Pra mim, o silêncio tem tanto valor quanto qualquer ruído, quando não um valor maior. Mas pouquíssimas pessoas tem sensibilidade para isso. E o mais curioso é que talvez por isso mesmo eu não tenha sentido a menor falta disso aqui. Gosto bastante, é verdade. Mas eu gosto de outras coisas também. E quero aprender a gostar de várias outras.

Para isso, preciso refrescar bastante as minhas idéias. Vou, então, me metamorfosear. Por isso vou embora, mas qualquer dia - quem sabe - pode ser que eu volte. Agora, entrarei na minha caverna e enfrentarei os meus queridos demônios. Porque, afinal, ninguém poderá enfrentá-los por mim. Fato é que na vida, às vezes, chegamos a um ponto em que se não fizermos isso, colocamos todo o resto a perder. Então, paciência.

Não garanto se ou mesmo como eu retornarei. Espero um dia poder concluir alguns dos projetos iniciados aqui. Por enquanto vou empurrá-los para segundo ou terceiro plano. Mas este espaço está, como sempre, aberto. Totalmente aberto. Deixem seus recados aí nas caixinhas. Sempre que for possível, retornarei pra vocês, qualquer que seja o teor das mensagens. Quero ser provocado. Se puderem, me convençam de que estou equivocado em minha decisão.

Só peço uma coisa, paciência. Daqui em diante, o tempo vai ser meu mestre e ele vai guiar meus passos. Estarei ausente, mas presente sempre que preciso.

"Say Goodbye..." 

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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

1001 Discos - 0019

Michael Jackson
Thriller
(1982)

O Ápice do Equilíbrio

Uma das boas coisas que acontecem ao se fazer essa imersão pelos 1001 discos são as belas redescobertas que nos esperam pelo caminho. Isso mesmo. É uma maravilha redescobrir algumas pérolas que estavam lá no fundo do baú. Pois foi essa a minha sensação ao sentar para escutar o álbum de hoje.

Para mim, sentar e ouvir "Thriller" com todas suas nuâncias e em todos os detalhes foi como fazer uma regressão. Apesar de ser um fã declarado das músicas do Michael Jackson, na verdade não tenho parado para escutar seus álbuns mais antigos. Tinha escutado o "Dangerous" a um tempo atrás e volta e meia eu coloco o "Invincible" pra rodar aqui.

Mas, por mais estranho que possa parecer, quase não escuto os álbuns clássicos desse artista fenomenal. Simplesmente por falta de hábito. "Off the Wall", "Thriller" e "Bad" não faziam parte da minha coleção (de mp3). Pois então, estou tratando de preencher essa lacuna o mais rápido possível.

Por isso eu posso dizer com toda tranquilidade: é um prazer enorme poder escutar um álbum que represente tão bem o significado da palavra "qualidade". A construção desse álbum se deu de forma absolutamente impecável. Não há uma única nota fora do lugar. Ao mesmo tempo, as músicas não soam nem um pouco artificiais, como até seria de se esperar. É um álbum que não perde a vibração nem um segundo. Aliás, vibração ele tem de sobra. MESMO.

A sequência Thriller > Beat It > Billie Jean > Human Nature é qualquer coisa. De arrepiar. Talvez essa seja a melhor sequência de quatro músicas de um disco pop. Quatro incríveis hits enfileirados no mesmo disco. Hoje isso até poderia representar um enorme disperdício em termos de mercado. Cada uma dessas músicas em um álbum diferente já seriam chamariz suficiente para vender outras dezenas de milhões de cópias de cada álbum que as contivesse, sem dúvida alguma.

Para quem nasceu antes de 1985 qualquer uma dessas quatro músicas dispensam comentários. Nessa época, em que a rádio e a televisão se preocupavam ainda mais com a cultura em si, principalmente na área musical, Michael Jackson reinou de forma absoluta, foi soberano. Sua fusão da disco music, com funk, pop, r&b e elementos sutis do rock criou um estilo perfeitamente adaptável ao rádio. É leve, tem balanço, suingue e não satura o ambiente, fato que pode acontecer, às vezes, com o rock.

No entanto, é sobre as outras músicas, "menos" conhecidas, que vou tentar esquadrinhar algo aqui. Porque elas merecem
tanto destaque quanto os badalados hits já citados.

Pode parecer redundância, mas a música de abertura "Wanna Be Startin' Somethin" tem tudo que uma "música de entrada" precisa para criar o clima do álbum como um todo. Ouça você mesmo e repare bem. Preste bastante atenção em todos os detalhes da "intro" dessa música. Três batidas na caixa e a entrada "aparentemente" atravessada. O baixão segurando um groove "pesado" o tempo todo, basicamente o mesmo groove na música inteira. Quando entra o arranjo de guitarra, repare na vocalização ao fundo. É muita criatividade. Isso pra não falar na interpretação "insana" da letra e em toda a capacidade vocal de Michael Jackson. Canta demais. Os arranjos vocais são espetaculares. São várias camadas, vários elementos gravados interpoladamente que se intercalam com arranjos incríveis de metais e com a guitarra, com seu timbre notável.

Depois, para "descansar" um pouco de toda essa vibração, você curte uma onda mais disco e r&b "Baby be Mine". Relativamente menos "frenética" do que a anterior, ela não fica para trás em termos de qualidade. A "intro" dessa música também é muito peculiar, por ser somente com a bateria. Mas é na melodia que está o segredo dessa canção. A capacidade de Michael em fazer melodias marcantes está evidenciada ali. E mais uma vez, ele canta muito, não precisaria nem ficar repetindo isso, mas vale muito a pena reparar esse detalhe nessa música especificamente.

Daí caimos em uma balada "The Girl Is Mine". Uma simples balada? Hahaha. É... Muuuuito simples. Afinal, uma parceria com Paul McCartney não é nada de mais, não é mesmo? Basta ligar e ele vem atendê-lo. Pois está ali. Michael Jackson e Sir Paul McCartney juntos. A partir daí dá para se ter uma idéia do quão bela é a música. Não há nada que precise ser retocado numa música como essa. Linda.

Bom, como se tudo isso não bastasse, é daí pra frente que o disco realmente "acontece". Seguem "Thriller", "Beat It" e "Billie Jean", das quais qualquer coisa que eu fale, por mais "mínimo" que possa ser o detalhe, estarei chovendo no molhado. Mas, sendo agora um crítico mais severo, a faixa-título"Thriller" é a música que mais destoa do álbum como um todo. Ela tem balanço legal, mas só, e todo esse clima cansa antes mesmo de a música acabar. E aquela voz esquisita de "zumbi" no final não encaixou nada bem na música, na minha opinião.

Mais adiante no disco, passando reto sobre as obrigatórias "Beat it" e "Billie Jean", nos deparamos com a bela "Human Nature". O que dizer, então, de uma melodia que encantou até Miles Davis? Aliás, eu conhecia essa música mais pelo trompete do jazzista do que pela inconfundível voz do Michael. Imperdível.

Daí pra frente, o disco segue sua excelente toada. É um disco facil demais de se escutar, é tão bem feito que agrada facilmente a qualquer ouvido, e qualquer restrição que se possa fazer a esse disco será mais pessoal em relação ao Michael do que estritamente técnica, relacionada à musica ali contida.

Em suma, uma obra-prima do pop. Reúne todos os elementos que um disco precisa para arrebentar nas paradas de sucesso. Não é à toa que na própria página na Wikipedia os reviews desse disco formam uma verdadeira constelação, uma via-láctea de toda a crítica.

Uma pena que, desse álbum em diante, a carreira e a vida pessoal de Michael Jackson passaram a tomar um rumo "ladeira abaixo" e, apesar de ainda conseguir emplacar alguns bons discos, nada foi comparável ao sucesso obtido no início dos anos 80. Prova de que o ápice do equilíbrio está, realmente, a um passo do desatino.



Thriller

link

Studio album by Michael Jackson
Released November 30, 1982
Recorded April 14 – November 8, 1982
Westlake Recording Studios
(Los Angeles, California)
Genre Pop, rock, R&B
Length 42:19
Label Epic (EK-38112)
Producer Michael Jackson
Quincy Jones

All songs written and composed by Michael Jackson, except where noted.
# Title Length

1. "Wanna Be Startin' Somethin'" 6:02
2. "Baby Be Mine" (Rod Temperton) 4:20
3. "The Girl Is Mine" 3:42
4. "Thriller" (Temperton) 5:57
5. "Beat It" 4:19
6. "Billie Jean" 4:54
7. "Human Nature" (John Bettis, Steve Porcaro) 4:05
8. "P.Y.T. (Pretty Young Thing)" (James Ingram, Quincy Jones) 3:58
9. "The Lady in My Life" (Temperton) 4:59

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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

1001 Discos - 0018


Sepultura
Roots
(1996)

Ordem e Progresso?

O álbum de hoje veio pra detonar. É isso aí. "VAMO DETONÁ ESSA PORRA, É, PORRA!!!". Que adolescente (da década de 90) não se identifica de bate-pronto com estes versos urrados por Max Cavalera na música "Ratamahatta"? No meu caso é instantâneo. Independentemente de se gostar ou não do estilo de música explorado pelo Sepultura, o legado que eles constituíram chegou ao seu ápice no álbum "Roots".

A banda dos irmãos Max e Igor Cavalera - juntamente com Andreas Kisser e o baixista Paulo Jr. - desde o seu início demonstrava que não iria fazer feio representando o Brasil no estilo trash metal mundo afora. Mas os três primeiros álbuns soam imaturos de alguma maneira. Estão mais ligados ao estilo hardcore, com uma menor liberdade criativa.

A partir do álbum "Arise" e "Chaos A. D." o Sepultura começava a demonstrar que realmente poderia incorporar novos elementos a um estilo de música que tradicionalmente é muito conservador. Porque, por incrível que pareça, o "heavy metal" em sentido genérico não é nada propenso às mudanças. O estilo pode ser agressivo, bem radical, mas a estrutura das músicas e das bandas em si são sempre as mesmas.

Foi aí que o Sepultura conseguiu inovar. A banda voltou às raízes genuinamente brasileiras e conseguiu incorporar isso ao som da banda de tal maneira que o resultado ficou espetacular. Na verdade, não seria nada absurdo considerar o "Roots" como um álbum à parte no cenário da música mundial e em relação ao próprio Sepultura.

Quando digo "voltar às raízes bem brasileiras" é pra se levar bem ao pé-da-letra mesmo. O álbum foi inspirado em uma temporada que a banda passou em convivência com a tribo Xavante. Isso contribuiu muito para que pelo menos parte da imensa riqueza cultural desses povos indígenas fosse difundida mundialmente. Mas não se enganem. Isso não foi meramente uma válvula de escape para a projeção do Sepultura fora do Brasil.

Antes mesmo do lançamento do "Roots" o Sepultura já desfrutava um grande prestígio internacional sendo uma das principais bandas do estilo, estando sempre presente nos principais festivais de metal do mundo. Uma evidência de que isso é verdade é a participação especial do badaladíssimo Mike Patton, do Faith no More, na faixa "Lookaway" do Roots. Essa parceria Patton-Sepultura já vinha de algum tempo mas foi nesse álbum que ela se consolidou de forma mais significativa.

Mas como, exatamente, a influência "Xavante" contribuiu para o enriquecimento musical do Roots? De inúmeras formas, mas sobretudo na área da percussão. A diversidade rítmica e percussiva desse álbum é enorme, além de ser algo totalmente sem precedentes ainda mais associado a um gênero de música pesada. Além disso, a música "Itsári" nos mostra toda a capacidade criativa da banda, toda sua coragem e ousadia.

O violão clássico acompanhando a tribo com a riquíssima percussão. É lindo e ao mesmo tempo parece mexer de verdade com todas as nossas bases, com tudo que acreditamos ser o nosso alicerce, enquanto brasileiros. Só assim podemos enxergar o quanto nós estamos formatados pela cultura ocidental, seja americanizada, seja a européia. Talvez esse disco seja um dos poucos - senão o único - dessa imensa lista que contenha esse elemento tão verdadeiramente "
tupiniquim". Na minha modesta opinião, acho que todos os brasileiros, TODOS, deveriam ter essa noção. Deveriam saber, deveriam sentir ne pele, pelo menos um pouco do gostinho que alguns desses elementos que estão contidos no disco nos oferecem, coisas que facilmente remontam à sua, à nossa origem, verdadeiramente nacional.

O disco pode assustar logo no início. Não é tão simples assim conseguir digerir logo de cara os urros de Max Cavalera em "Roots Bloody Roots". Mas se você se predispor a vibrar na mesma frequencia da banda não tem como não se arrepiar. A competência de todos os músicos é indiscutível. Igor Cavalera é impecável nesse álbum. As guitarras, na maioria com afinação baixíssima, também colaboram muito para dar ainda mais peso ao ambiente.

O berimbau na intro de "Attitude" mostra que há também influência da música baiana, do grupo Olodum, em algumas músicas. A mais significativa é a própria "Ratamahatta", já citada, que conta com participação do compositor Carlinhos Brown.

Das letras, pouco se pode entender nos vocais de Max Cavalera, mas os temas demonstram que a banda também não decepcionou nesse quesito. Mas, sem dúvida, é na música em si que eles conseguiram brilhar com mais intensidade.

O Sepultura demonstrou com enorme competência que os traços culturais do Brasil podem, sim, ter grande destaque internacional e ser motivo de orgulho para todos nós. Além de nos mostrar o quanto estamos regredindo com o nosso aparente "progresso".



Roots
Studio album by Sepultura

Released March 12, 1996
Recorded October-December 1995 at Indigo Ranch in Malibu, California
Genre Alternative metal
Length 72:09
Label Roadrunner
Producer Ross Robinson, Sepultura


Track listing
# "Title"

01 Roots Bloody Roots
02 Attitude
03 Cut-Throat
04 Ratamahatta
05 Breed Apart
06 Straighthate
07 Spit3
08 Lookaway
09 Dusted
10 Born Stubborn
11 Jasco
12 Itsari
13 Ambush
14 Endangered Species
15 Dictatorshit
16 Canyon Jam

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terça-feira, 27 de janeiro de 2009

1001 Discos - 0017


The Disposable Heroes of Hiphoprisy
Hypocrisy Is the Greatest Luxury
(1992)

Músicas comuns, letras nem tanto

Para quem está acompanhando os 1001 discos desde o início esse é mais um álbum que segue musicalmente a mesma linha dos já comentados
Dr. Dre e o The Pharcyde. Dê uma passadinha pelos arquivos e leia (ou releia) aqueles comentários. São todos inclusive do mesmo ano, de 1992, o que nos mostra a enorme força do movimento rap e hip hop daquela época. O que distingue, então, o álbum de hoje desses outros dois?

Musicalmente, ele é notadamente mais fraco. Apesar de usar bons samples como de Miles Davis, Herbie Hancock, The Meters e Public Enemy ele não é tão criativo e diverso quanto os outros dois álbuns comentados anteriormente. A base é
substancialmente o rap puro. Mas, mesmo assim, é um rap muito bem cantado. As vozes apresentam uma boa melodia e mesmo quem não é muito da área do rap, como eu, consegue ouvir tranquilamente esse disco. Mas, sendo assim aparentemente tão comum, por que esse disco está na lista dos 1001?

Simples e direto. Por causa das letras. Nessa época, conforme podemos notar, o hip hop crescia e dominava o mercado americano. Mas os temas das letras dos discos mais comerciais eram, basicamente fúteis e as batidas, monótonas. Esse álbum, por sua vez, levou os problemas urbanos que os EUA enfrentavam naquele período muito a sério. E eles mandaram realmente muito bem. Nesse sentido, é bem verdade, esse álbum destoa de todos os outros que tive contato, dentro desse gênero. A violência, o poder da mídia (sobretudo da televisão), opressão política, as desigualdades, e muitos outros temas são tratados com muita propriedade e até elegância em suas letras.


Esse álbum é importante também como uma referência histórica dentro do rap. Os componentes herdaram um legado importante deixado pelo Public Enemy na década de 80. A contribuição de um disco como esse no sentido de dar mais substância, mais conteúdo, a tudo que vinha sendo produzido nesse gênero naquele ano é também um fator marcante.


A banda, no entanto, durou apenas três anos. Provavelmente pelo fato de não ter atingido grande sucesso comercial. Na verdade, ela nunca saiu do circuito universitário americano. Trata-se de um álbum interessante sobretudo para quem é fissurado em uma boa "rima", aliás, para esses, eu arriscaria dizer que é um disco de presença fundamental na prateleira.



Hypocrisy Is the Greatest Luxury

Studio album by The Disposable Heroes of Hiphoprisy
Released 1992
Recorded 1992
Genre Hip-hop
Length 62:32
Label 4th & B'way/Island/PolyGram Records
Producer Michael Franti

Track listing

1. "Satanic Reverses" (Franti) – 4:45
2. "Famous and Dandy (Like Amos and Andy)" (Franti) – 6:34
3. "Television, the Drug of the Nation" (Franti) – 6:38
4. "Language of Violence" (Franti) – 6:15
5. "The Winter of the Long Hot Summer" (Franti) – 7:59
6. "Hypocrisy Is the Greatest Luxury" (Franti) – 3:47
7. "Everyday Life Has Become a Health Risk" (Franti) – 4:54
8. "INS Greencard A-19 191 500" (Franti) – 1:36
9. "Socio-Genetic Experiment" (Franti) – 4:19
10. "Music and Politics" (Franti) – 4:01
11. "Financial Leprosy" (Franti) – 5:30
12. "California Über Alles" (Biafra/Greenway) – 4:13
13. "Water Pistol Man" (Franti) – 5:55

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sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

1001 Discos - Edição Especial nº2 e 1/2


Caros companheiros dessa longa jornada dos "1000 e tantos" discos. Eis que um novo ano se inicia. E como não poderia deixar de ser, venho com NOVIDADES para esse nosso ambicioso projeto. Mas prometo. Dessa vez serei breve. Objetivo ao extremo. Na medida do possível, é claro.

A idéia era divulgar essas novas idéias na edição "especial" anterior (a número 2) , mas o conteúdo do post acabou derivando para outro lado e resolvi deixar como está. É essa a razão do título "diferenciado" mas também porque, mais uma vez, pretendo ser breve. Vale por meio post.

É o seguinte. Seguindo sugestões de amigos e companheiros dessa verdadeira "nave-louca", a partir de agora vou upar para o nosso "diretório virtual" também os álbuns compactados. Assim, fica mais fácil baixar os álbuns integralmente.

A única observação a ser feita é sobre o limite de transferência do servidor que é de 100MB. Por causa disso e para evitar erros em possíveis arquivos corrompidos estou fazendo pacotes de 50MB cada.

No entanto, não abrirei mão de deixar disponível o "faixa-a-faixa". Inclusive, o post do Jane's Addiction já foi editado e agora há um hiperlink em cada música, facilitando um pouco o processo. Assim é possível escutá-la sem nem precisar fazer o download.

É isso. Espero que fiquem satisfeitos! Aguardo os comentários, dicas, sugestões, críticas, etc....

(Só reiterando que isso vale para os álbuns comentados a partir desse post, ou seja, os álbuns passados - já comentados - não serão atualizados.)


MOVIMENTE-SE!!!

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1001 Discos - 0016


Jane's Addiction
Nothing's Shocking
(1988)

Voltando da Ressaca


Jane's Addiction é uma banda de rock alternativo formada em Los Angeles no final da década de 80. Musicalmente não considero essa década tão rica quanto a década de 70 e principalmente a de 60, apesar de saber que, claro, existem inúmeras "pérolas" que são belas exceções a essa regra. No entanto, isso não significa que o som do Jane's Addiction seja pobre. Aguardem os próximos capítulos, ops, ou melhor, "parágrafos" e vocês entenderão. Pelo menos, assim espero.

Essa regra da década de 80 em relação às outras passadas é ainda mais válida se focarmos apenas o cenário pop/rock e alternativo, em vez de abranger a música como um todo (que incluiriam, por exemplo, jazz, bossa nova, tropicália e outros gêneros mais regionais). Acredito que umas das razões para isso seja o próprio volume de "novidades" criado espontaneamente nessas décadas anteriores.

Esmagada pela imensa e avassaladora criatividade artística provinda das duas décadas passadas, a década de 80 tendeu mais ao minimalismo do que qualquer outra coisa. O punk, por exemplo, entre várias outras coisas tenta de certa forma negar aquele virtuosismo, todo aquele espetáculo colorido característico do psicodelismo do pop/rock dos anos que antecederam.

É claro que existem inúmeras fusões e tudo acorre de forma muito mais amorfa e menos homogênea do que seria conveniente para qualquer análise. Mas essa tendência existia de fato. Além disso, está expresso explicita e implicitamente em várias bandas, álbuns e músicas dessas décadas, principalmente no lado alternativo do rock de 80.

Uma forma de expressão mais minimalista significa uma banda compondo as músicas de forma mais simples, e/ou usando menos instrumentos, acordes mais simples, algo muito comum sobretudo em músicas mais voltadas para protesto, para contestação de algo. Isso porque nesses casos geralmente se valoriza mais o conteúdo (lírico/poético) do que a forma (musical).

Esse minimalismo é uma resposta a tudo que vinha sendo criado no mundo do "showbusiness" dos anos anteriores. De certa forma, a década de 80 é como que uma "ressaca" das décadas anteriores. Não exatamente no sentido pejorativo do termo. Mas, como consequência histórica, algo que ocorreu naturalmente, não há dúvidas.

Bandas de hard-rock se proliferavam aos milhares e dominavam o mercado. Todas bastante influenciadas por Led Zeppelin, Balck Sabbath, Deep Purple, entre vários outros, mas com aquela (triste) cabeleira característica da época. O "Hair Rock" de bandas como Quiet Riot, Mötley Crüe, Ratt, Helix, W.A.S.P., Night Ranger, Twisted Sister, Stryper, Warrant, Cinderella, Poison davam o tom de todas as baladas da época. O lado alternativo do rock era comercialmente nulo na época, salvo raras exceções.

Nesse cenário, juntamente com o surgimento e maior amadurecimento da MTV americana surge a banda Jane's Addiction. O som dessa banda é bem diferente de tudo o que vinha sendo produzido na época. Algo que pode ser definido como um post-punk com suingue de soul-funk (Há!!! Rimou!). Esse é mais um caso de uma banda que abriu o caminho do "funk-metal" para outras como Red Hot Chili Peppers, Faith No More, Soundgarden, Alice In Chains, entre outras.

No entanto, isso não é, ainda, o maior destaque desse álbum. Para mim, o ponto alto desse disco tem um nome. Ele é Dave Navarro. O guitarrista, que posteriormente chegou a integrar o próprio Red Hot Chili Peppers, realmente arrebenta nesse disco. Toca demais. Não há dúvidas que ele influenciou toda uma geração de guitarristas entre eles os gigantes Tom Morello, Slash e todos os guitarristas surgidos a partir da década de 90. Não há dúvida alguma de que todos eles tem uma "pitada" de Dave Navarro.

Apesar de ter sido nesse post o meu primeiro contato significativo com a banda Jane's Addiction eu já conhecia bem o estilo do D. Navarro por sua passagem pelo R.H.C.P., no álbum "One Hot Minute" - um disco muito subestimado da banda californiana, diga-se. Esse disco inclusive mereceria um post inteiro só pra ele, pois tem lugar cativo na minha galeria de favoritos.

O álbum "Nothing's Shocking" traduz muito bem tudo isso que foi escrito nesse post até agora. A começar pelo seu título. O cenário da época estava tão saturado que nada mais chocava, nem ao público, nem a ninguém. É um álbum dos precursores do "funk metal" por isso tem bastante peso, mas já com algum suingue.

Musicalmente, o disco não é tão cru quanto um álbum de punk, mas tem vocais que são claras referências à esse estilo musical. A bateria é muito bem arranjada, mas tem um timbre que me irrita um pouco. Inclusive, talvez seja esse o grande motivo desse ter sido um dos álbuns mais difíceis que me deparei para analisar. Confesso que demorei um pouco pra aceitar os vocais e esse som de bateria (convenhamos, parece som de bateria daqueles teclados infantis "Casio"). O grande salvador da pátria foi novamente o fone de ouvido que colocou a guitarra bem na minha cara e aí, então, caiu a ficha (e, com ela, se foram os meus dentes).

Destaques, para a pesada "Ted, Just Admit It...", a engraçada "Standing in the Shower... Thinking", "Mountain Song", a radiofônica "Jane Says" e o despretensioso jazz de "Thank You Boys". Todas as outras faixas também tem excelentes arranjos de guitarra que compensam de sobra qualquer investimento feito nesse disco.

Depois desse álbum, não teria como ser diferente, a banda decolou. Não obstante, conseguiu voltar os holofotes da mídia novamente para o lado alternativo do rock e, em meio a um conflito "conceitual" que pairava sobre a cena underground, desenvolveu algo musicalmente novo, original e muito rico. Mais um daqueles casos em que a reunião de excelentes músicos se traduz em um grande álbum.



Nothing's Shocking
Studio album by Jane's Addiction

Released August 23, 1988
Recorded 1987-1988 at Eldorado Studios in Los Angeles, California
Genre Alternative rock
Length 45:13
Label Warner Bros. Records
Producer Dave Jerden, Perry Farrell

All songs written by Perry Farrell except where noted.

1. "Up the Beach" - 3:00
2. "Ocean Size" (Avery/Farrell/Navarro/Perkins) - 4:20
3. "Had a Dad" - 3:44
4. "Ted, Just Admit It..." (Farrell/Navarro/Perkins) - 7:23
5. "Standing in the Shower... Thinking" - 3:03
6. "Summertime Rolls" (Avery/Farrell/Navarro/Perkins) - 6:18
7. "Mountain Song" - 4:03
8. "Idiots Rule" - 3:00
9. "Jane Says" - 4:52
10. "Thank You Boys" - 1:01
11. "Pigs in Zen" - 4:30

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quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

1001 Discos - Edição Especial nº2


Já deve ter sido possível para vocês perceber que tenho uma relação bem conflituosa e contraditória com esse projeto dos 1001 Discos. Agora tentarei explicar o porquê. Talvez seja por ser essa a "menina dos olhos" do autor que vos fala.

Mesmo tendo total consciência de que não sou um profissional eu tento encarar a música profissionalmente em todos seus aspectos. E quando algo envolve a profissão que nós escolhemos por vocação, a tendência é que fiquemos chatos, detalhistas e perfeccionistas ao extremo.

Gosto de pegar um álbum e, além de ouvir todos os detalhes "musicais" que ele contém, procuro conhecer o trabalho do produtor, conhecer o máximo possível da interação produtor-banda, além é claro, de aprofundar bastante no tema do álbum e das letras. E, quando se trata de escrever algumas resenhas sobre verdadeiras obras-primas, não pretendo fazer nada mal-feito, só por fazer.

É preciso um pouco de tempo, de dedicação e de entrega. Fazer isso sem retorno, nem expectativa de retorno, é bastante penoso. Mas mesmo assim me dá prazer. Não terá muita utilidade prática em minha vida, mesmo sabendo que a tendência é que isso me transforme culturalmente em um monstro, sobretudo na área musical. Isso também é bom e ruim ao mesmo tempo.

É dificil encontrar alguém com cabeça aberta o suficiente com quem se possa discutir música com tanta profundidade. Pessoas que se interessam pela música com tamanha visceralidade são cada vez mais raras, pelo menos nessa região onde vivo. Sem essa discussão o meu discurso ecoa no vazio. Fica sem referencial. Por vezes, acho que perde a razão de existir.

Conseguiram perceber a raiz de toda contradição? Por isso, quando peço que participem, que mandem suas opiniões e comentários sobre as resenhas ou sobre os álbuns ou sobre qualquer coisa, não quero apenas ganhar ibope, muito pelo contrário, o conteúdo das mensagens de quem lê o que escrevo é que me interessa, não meramente a
quantidade dessas mensagens. Isso é o combustível que manterá esse e outros projetos desse blog vivos. Se você gostou e se interessa por música da mesma forma, comente. Se puder, divulgue.

Já imaginou? Seria um prazer enorme criar um círculo de discussão sobre os 1001 Discos, ao invés de simplesmente eu ficar escrevendo sobre os discos. Um álbum seria sorteado e cada um exporia sucintamente as suas impressões sobre ele. Dá pra fazer tranquilamente pela internet.

Basta que exista vontade real para isso. Basta que existam pessoas que realmente tenham interesse em tocar isso adiante. Apesar de ter consciência de que tudo isso tem uma probabilidade ínfima de acontecer.

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terça-feira, 9 de dezembro de 2008

1001 Discos - 0015



AC/DC
Highway to Hell
(1979)

"Guys Night Out "

Incrível! Um álbum tão bom e tenho a sensação de ter tão pouco a comentar. Sem maiores rodeios. Rock, rock, rock e rock. Vou repetir essa palavra mais umas duzentas vezes. Se você quiser ouvir rock de primeiríssima não perca nem um segundo a mais. Corra atrás desse álbum do AC/DC.

Nele o rock demonstra toda sua identidade.
Trilha sonora ideal para uma boa noite de farra e bebedeira entre amigos. Esse álbum é o puro êxtase do rock. Os temas das músicas resumem de forma cabal o supra-sumo de tudo que envolve o espírito de um legítimo roqueiro.

Esse é mais um álbum que comento aqui dos que conheço desde adolescente. Lembro-me de ter comprado o CD assim que ele chegou às lojas na sua re-edição. Mas meu primeiro contato com o AC/DC havia sido, como de praxe, com o "Back in Black".

A guitarra e o estilo do Angus Young logo chamaram a atenção.
No entanto, agora sendo bem franco, os vocal do Brian Johnson nunca me convenceu de forma plena. No "Back In Black" eu gosto muito das músicas, das guitarras, das levadas, do ritmo, mas tem algo no estilo do vocalista que não me agrada.

Talvez seja a própria falta de variação nas melodias. Ele cantas diversas músicas de forma muito parecida. Ainda não sei. Preciso explorar um pouco mais o som da banda para sentir esse estranho "fenômeno" de verdade. Foi quando eu descobri que esse "algo a mais" é justamente o que o "Highway to Hell" tem de sobra.


"Highway to Hell" é autêntico. Esse som tem uma forte identidade. Tem limites - início, meio e fim. Bon Scott está realmente "endiabrado" nesse álbum. Ele completa o som do AC/DC de forma espetacular. Na realidade, não só completa, como é um elemento de destaque dentro dele. Não é muito comum você conseguir sentir a presença de palco de um vocalista a partir de um álbum gravado em estúdio. No "Highway to Hell" ele parece tirar isso de letra. Bon Scott brilha de forma magnífica.

Angus Young colabora de forma não menos fantástica. Os riffs desse álbum são TODOS já considerados clássicos imortais do rock. As músicas são muito bem cadenciadas, com aqueles refrões que ficam marcados de forma definitiva na cabeça de quem se entrega de verdade ao som do AC/DC.

Se você ainda não conhece essa obra-prima, CORRA. Esse é um dos 1001 álbuns que você realmente NÃO PODE MORRER antes de ouvir. O próprio Bon Scott nos deixou essa lição: ele pouco pôde desfrutar o sucesso que acabara de conceber. Sufocado pelo álcool, estava morto poucos meses depois do lançamento desse disco.


Highway to Hell
Studio album by AC/DC
Released July 27, 1979
Recorded February–April 1979
Genre Hard rock, blues-rock, heavy metal
Length 41:42
Label Albert
Atlantic
Producer Robert John "Mutt" Lange


All songs were written by Angus Young, Malcolm Young, and Bon Scott.

1. "Highway to Hell" – 3:28
2. "Girls Got Rhythm" – 3:23
3. "Walk All Over You" – 5:10
4. "Touch Too Much" – 4:27
5. "Beating Around the Bush" – 3:56
6. "Shot Down in Flames" – 3:22
7. "Get It Hot" – 2:34
8. "If You Want Blood (You've Got It)" – 4:37
9. "Love Hungry Man" – 4:17
10. "Night Prowler" – 6:27

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sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

1001 Discos - 0014


Talking Heads
Remain in Light
(1980)

O Caminho para o Sucesso

Impossível não sentir a nostalgia dos anos 80 ao ouvir esse som. Posicione o cursor da primeira música "Born Under Punches (The Heat Goes On)" em 02:45 e escute aquele som que lembra o super mario ou alex kidd ou até mesmo um "river raid". Para quem viveu essa época não tem como não fazer tal referência.

Mas o elemento musical que mais chama a atenção nesse álbum é o ritmo, bem anti-convencional, sobretudo para aquela década. Esse álbum é riquíssimo em elementos percussivos, arranjados não de uma forma latina na qual nós brasileiros (ou latino-americanos) estamos acostumados (o que nos levaria para uma salsa, um mambo ou um merengue) mas remetendo especificamente a ritmos africanos. Essa fusão ficou realmente interessantíssima. Basta que se escute "The Great Curve" com bastante atenção na percussão. A velocidade e a forma que o bongo é tocado realmente não remete a nenhum outro ritmo que não ao africano. Não tem suingue. É o ritmo por si, simplesmente uma marcação bem sincopada. Para entender o que isso significa tente acompanhar o ritmo de "Listening Wind". No fundo lembra um reggae, mas não tem absolutamente nada de reggae.

"Once in a Lifetime" é uma faixa que chama bastante atenção. Não exatamente por sua construção ritmica, mas por ser uma faixa que tem a cara do produtor do disco. Essa faixa grita o nome de Brian Eno. Está ali mais do que explícito. Ou você não concorda que o refrão dessa música lembra U2 no início da carreira? Esse competente produtor tem uma participação decisiva na construção desse álbum. Outra faixa em que essa marcante influência se deixa transparecer é na "Seen And Not Seen".

"Houses in Motion" lembra muito algumas faixas do Parliament/Funkadelic do final da década de 70 ao mesmo tempo em que abre caminho para o território que seria explorado mais tarde por bandas como Red Hot Chili Peppers e Faith No More por exemplo.

Já a psicodélica e carregada "The Overload" fecha o disco de forma atordoante. O clima "dark" que eles conseguiram imprimir nessa música não é algo simples de se obter. A música em ritmo lento, as pequenas oscilações preenchendo no fundo, as vozes com um delay minuciosamente calibrado, a bateria mantendo a vibe de forma precisa, tudo isso forma um cenário completamente distinto de tudo que se ouviu no disco inteiro. O som como um todo remente a algo pessimista, mas ainda assim é extremamente agradável de se ouvir.

Para ser bem franco, até um tempo atrás eu não tinha muita consideração pela banda "Talking Heads". Ouvi muito se falar sobre David Byrne na MTV - na época que a MTV era a "MUSIC" television - mas nunca dei muita moral. A verdade é que eu não cresci em um ambiente de rock alternativo. Meus amigos não ouviam esse tipo de som, ou pelo menos não tiveram a chance de me aplicar nesse estilo musical. Ainda desconheço a discografia da Talking Heads.

No entanto, o que importa é que essa barreira veio abaixo. Começo a compreender porque essa banda sempre foi tão respeitada e recebeu tantos prêmios. "Remain in Light" é um álbum realmente genial, mesclando elementos das mais diferentes culturas, consequentemente criando um clima diferente e interessante a cada música. Tudo isso muito bem balanceado pela mão de um produtor que dispensa qualquer apresentação. O resultado não tinha como ser diferente: sucesso e muito reconhecimento da mídia.



Remain in Light
Studio album by Talking Heads
Released October 8, 1980 (1980-10-08)
Recorded July 1980 (1980-07)-August 1980 (1980-08) at Compass Point Studios, Bahamas; Sigma Sound Studios, Philadelphia and Eldorado Recording Studios, Hollywood
Genre Post-punk, New Wave, World music
Length 39:48
Label Sire
Producer Brian Eno

All songs written by David Byrne, Brian Eno, Chris Frantz, Jerry Harrison, and Tina Weymouth.

Side one

1. "Born Under Punches (The Heat Goes On)" – 5:46
2. "Crosseyed and Painless" – 4:45
3. "The Great Curve" – 6:26

Side two

4. "Once in a Lifetime" – 4:19
5. "Houses in Motion" – 4:30
6. "Seen and Not Seen" – 3:20
7. "Listening Wind" – 4:42
8. "The Overload" – 6:00

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quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

1001 Discos - 0013



Butthole Surfers
Locust Abortion Technician
(1987)

Arrojo sem limites

Um álbum indigesto. A onda experimental desse disco chegou a tal nível, que pra mim foi muito difícil de acompanhar o seu ritmo. No entanto, esse "experimentalismo" não lembra em nada aquela coisa genial e brilhante da década de 60 e 70. Não. Esse disco transborda aditivos químicos. Muito. De todos os tipos e variedades. A droga foi o principal combustível para composição desse álbum. A tal ponto que, não sendo um usuário, você terá dificuldades em compreender a magnitude dessa obra.

Entretanto, com certa sensibilidade, é possível perceber que esse álbum foi uma rica fonte de influência das mais diversas formas para vários artistas, principalmente da década de 90. Bandas como Nirvana, Soundgarden, Faith No More, Red Hot Chili Peppers, Incubus, entre várias outras que vinham se estabelecendo no cenário alternativo dessa época certamente aproveitaram muitas das boas idéias contidas nesse audacioso álbum do Butthole Surfers. Quais idéias?

Classificado dentro da categoria de rock alternativo, esse álbum tem uma essência punk tocada em ritmo notadamente mais lento. A maioria das músicas não é cantada, tem apenas gritos e grunhidos (lembrando um hardcore) , ou então a voz tem efeitos que lembram um pouco a fase mais psicodélica do "Funkadelic". A distorção dos instrumentos é colocada no nível máximo. A afinação das guitarras é "questionável", mas isso conforme aprendemos enquanto avançamos em nossa jornada dos 1001 discos, é até algo característico e usual dentro do gênero.

Esse álbum é pesado, é dark, é sim, perturbador. Para começar, sendo bem direto, basta que você compreenda o significado do nome da banda: literalmente "surfistas do olho do cú". É isso aí que você acabou de ler. Surfistas do olho do "toba". Uma piada. Aí então você percebe que a intenção dos músicos era justamente essa: fazer um som que casasse bem com esse humor negro pesado e direto. Mas ele o faz de uma forma tão crua que torna difícil a compreensão de alguém que não esteja "chapado".

Mesmo assim, é facil perceber que algumas faixas utilizam técnicas arrojadas de estúdio, como por exemplo, tocar a música de trás pra frente, a utilização de duas baterias (dois bateristas!) e uma forma de se agregar as faixas e se conceber um álbum totalmente nova.

Aliás, arrojo é a palavra que mais define esse álbum. Isso seria bom, muito bom. Não fosse seu elemento complementar, o limite, algo totalmente ignorado na maior parte de sua construção.



Locust Abortion Technician
Studio album by Butthole Surfers
Released March 1987 (US)
1987 (EUR) (AUS)
Genre Alternative rock
Length 32:34
Label Touch and Go (US)
Blast First (UK)
Torso (Netherlands)
Au Go Go (AUS)
Producer Butthole Surfers

All songs written and produced by the Butthole Surfers, except where noted.

Side 1

1. "Sweat Loaf" – 6:09
2. "Graveyard" – 2:27
3. "Pittsburg to Lebanon" – 2:29
4. "Weber" – 0:35
5. "Hay" – 1:50
6. "Human Cannonball" – 3:51

Side 2

1. "U.S.S.A." – 2:14
2. "The O-Men" – 3:27
3. "Kuntz" (unknown Thai artist) – 2:24
4. "Graveyard" – 2:45
5. "22 Going on 23" – 4:23


(back cover*)

(*The back cover of the "deformed baby" is said to be Jimi Hendrix.)

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quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

1001 Discos - 0012


Sonic Youth
Daydream Nation
(1988)

Teatral

O destino desse projeto 1001 Discos parece estar "espiritualmente" ligado à banda Sonic Youth de alguma forma. Foi deles a edição número um do projeto e são eles agora novamente os contemplados para marcar esse retorno às postagens. Interessante.

No entanto, algo que chama ainda mais atenção, é que o ambiente criado pelo som desse álbum como um todo é muito sugestivo, apontando
justamente no sentido de se fazer uma grande revolução.

Você não precisa ser o cara mais sensível do mundo para sentir na pele (ou nos tímpanos) o tom de contestatório, o tom de insatisfação com a ordem estabelecida, que a banda utiliza em suas músicas. Ainda que, pela minha primeira impressão, esse álbum tenha parecido ser um pouco menos "noise-rock" do que o "Goo" (comentado anteriormente) ele é bem denso e possui alguns do principais elementos que caracterizam um som atenticamente punk.

O engraçado é que eu, nessa altura da vida, estou começando a me identificar com vários aspectos dessa cultura punk, sobretudo nessa parte da "arquitetura" musical. Começo a ver também, cada vez com mais clareza, que o punk tem uma finalidade diversa ao fazer música do que simplesmente TOCAR os instrumentos e FAZER a música em si.

O punk tem um elemento que se sobressai à música. É como se fosse algo teatral. Não é à toa que os punk possuíam aquele visual que tanto os marcou na década de 80. Mas, como acontece com quase tudo, a massificação da mídia e a moda banalizaram demais seu aspecto mais interessante, justamente toda a questão que fundamentava, que justificava o por que daquele impacto visual.

Porque, ao contrário do que acontece com os "emos" de hoje em dia, não é preciso ser um gênio para saber que os punks tiveram uma importância cultural, social e sobretudo POLÍTICA muito mais significativa para formação de uma geração, do que essa galera emo tem hoje. Intelectualmente, culturalmente e socialmente muito mais atuantes, os punks definitivamente marcaram a geração dos anos 80 e, sem dúvida, essa cultura continua viva e marcada na vida de muita gente até hoje.

Mesmo sabendo que o Sonic Youth não representa uma banda punk no sentido estrito do termo (costuma-se encaixá-la mais precisamente em um cenário pós-punk) é inegável que esse paralelo Sonic Youth-punk existe. Isso fica evidente principalmente se observarmos os timbres dos instrumentos. A guitarra em algumas faixas possui afinação muito incomum (ouça "Total Trash" ou a intro de "Rain King") , nas quais há momentos em que ela parece realmente estar desafinada, mas isso obviamente tem um propósito. A introdução de "The Sprawl", por exemplo, é linda e empolgante. Assim como o ritmo alucinante de "Silver Rocket".

Se antes eu tinha um pé atras com o movimento do qual a Sonic Youth faz parte, esse álbum mostra em alto e bom som que não há motivos reais para isso. Pode até ser pelo fato de eu estar conhecendo a banda de uma forma regressiva (o "Goo" é posterior ao "Daydream Nation").

De fato, pra quem gosta de rock, pra quem acha que música é algo que DEVE ir além do simples entretenimento, pra quem quer descobrir (ou relembrar) a real "intenção" e "atitude" que uma banda de rock deve ter, além de entender os fundamentos por trás do movimento "underground" alternativo daquela época (e de hoje), vale muito a pena investir na banda Sonic Youth.



Daydream Nation
Studio album by Sonic Youth
Released October 1988
Recorded July 1988 – August 1988 at Greene Street Recording, New York City
Genre Alternative rock
Length 70:47
Label Enigma (U.S.)
Blast First (UK)
DGC Records (1993 CD and later re-issues)
Producer Nick Sansano, Sonic Youth


Original release

All songs written by Sonic Youth.

1. "Teen Age Riot" (lyrics/vocals Moore, Gordon intro vocals) – 6:57
2. "Silver Rocket" (lyrics/vocals Moore) – 3:47
3. "The Sprawl" (lyrics/vocals Gordon) – 7:42
4. "'Cross the Breeze" (lyrics/vocals Gordon) – 7:00
5. "Eric's Trip" (lyrics/vocals Ranaldo) – 3:48
6. "Total Trash" (lyrics/vocals Moore) – 7:33
7. "Hey Joni" (lyrics/vocals Ranaldo) – 4:23
8. "Providence" (vocals Mike Watt) – 2:41
9. "Candle" (lyrics/vocals Moore) – 4:58
10. "Rain King" (lyrics/vocals Ranaldo) – 4:39
11. "Kissability" (lyrics/vocals Gordon) – 3:08
12. Trilogy: – 14:02†
* a) "The Wonder" (lyrics/vocals Moore) – 4:15
* b) "Hyperstation" (lyrics/vocals Moore) – 7:13
* z) "Eliminator Jr." (lyrics/vocals Gordon) – 2:37

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1001 Discos - Rápido e Rasteiro

Romain Rolland (29 de janeiro de 1866 - 30 de dezembro de 1944) foi um novelista, biógrafo e músico francês. Ganhou o Nobel de Literatura em 1915.

Doutorou-se em Arte em 1895, foi professor de História da Arte na École Normale de Paris e professor de História da Música na Sorbonne. Para além da sua actividade docente, foi um reconhecido crítico de música (!). Estreou-se na escrita em 1897 com a peça Saint-Louis, que, juntamente com Aërt (1898) e Le Triomphe de la Raison (1899), fez parte da trilogia Les Tragedies de la Foi (1909). Em 1910 retirou-se do ensino para se dedicar inteiramente à escrita.

Na sua obra concilia o idealismo patriótico com um internacionalismo humanista. Escreveu peças de teatro, biografias (Vie de Beethoven, 1903; Mahatma Ganghi, 1924), um manifesto pacifista (Au-dessus de la mêlée, 1915) e dois ciclos romanescos: Jean-Christophe (10 vols., 1904-1912), "roman-fleuve" (segundo as palavras do autor) consagrado a um músico genial, e L'Âme enchantée (7 vols., 1922-1934). Em 1923, fundou a revista Europe.

Romain Rolland fez importante observação sobre o livro "O Futuro de uma Ilusão", de Sigmund Freud. Esta observação foi a premissa usada por Freud para escrever o livro seguinte "O Mal-estar na Civilização".

Quando o filósofo político italiano Antonio Gramsci escreveu, na prisão, que o "pessimismo da inteligência" não deveria abalar o "otimismo da vontade", estava citando Romain Rolland.

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Romain Rolland disse " Criar é matar a morte "

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O projeto 1001 Discos está de pé novamente...


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segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Humano, demasiado humano - 007 & 1001 Discos - Ato Final

O HOMEM A SÓS CONSIGO




599. A Idade da Presunção.


" O autêntico período da presunção, nos homens de talento, está entre os vinte e seis e os trinta anos de idade; é o tempo da primeira maturação, com um forte resto de acidez. Com base no que sentem dentro de si, exigem respeito e humildade das pessoas que pouco ou nada percebem deles, e, faltando isso num primeiro momento, vingam-se com aquele olhar, aquele gesto presunçoso, aquele tom de voz que um ouvido e um olho sutis reconhecem em todas as produções dessa idade, sejam poemas ou filosofias, pinturas ou composições. Homens mais velhos e mais experientes sorriem diante disso, e comovidos se recordam dessa bela idade da vida, na qual nos irritamos com a vicissitude de SER tanto e PARECER tão pouco. Depois PARECEMOS mais, é verdade - mas perdemos a boa crença de SERMOS muita coisa: que continuemos então a ser, por toda a vida, incorrigíveis tolos vaidosos. "

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1001 Discos - 0011


Os Mutantes
Os Mutantes (1968)


O próximo álbum estava marcado para ser o disco dos Mutantes. Mas, como vocês podem presumir não vou falar sobre sua música especificamente. Essa figura aí em cima não tem absolutamente nada a ver com os Mutantes. Ou talvez até tenha, dependendo de até onde você permitir que eu estenda o ponto de vista dessa questão.

Eu não ouvi o disco dos Mutantes. Quer dizer, eu já ouvi algumas vezes, mas não ouvi para comentar aqui, não ouvi da mesma forma que vinha escutando os outros discos que estão comentados neste espaço. Por que?

Faltou luz.

"Como assim faltou luz?" você pode estar se perguntando. "Mas, então, como é que você está escrevendo isso que estou lendo nesse exato momento?".
"Escreva depois, então...".
"Aguarde a luz voltar!"

Não. Faltou luz e tive que improvisar. No momento em que eu estava preparado para dedicar um tempinho a esse disco eu perdi a minha conexão com o resto do mundo. Nem tudo é perfeito. Tudo até PODERIA estar perfeito, mas...

Eu não sou perfeito. Às vezes eu tento e brigo muito comigo mesmo para ser. Sim, eu sei que estou errado mas eu sou assim e é muito difícil mudar. "Mudar?"

Foi quando caiu a ficha. Eu não precisei ouvir o disco dos Mutantes. Consegui captar a idéia central mesmo sem ouvir o álbum dos caras. "Os Mutantes".... "Os Mutantes" ...

Pois foi assim que, de repente, eu me senti um mutante. Ou pelo menos, eu senti que o que nós devemos ser é um ser mutante.

E foi assim que decidi fazer um aborto. Não comentarei mais discos nesse espaço. Isso mesmo. Morre aqui o meu projeto dos 1001 Discos.

Mesmo com esse final abrupto, vale dizer que curti bastante aproveitar a liberdade que esse espaço me ofereceu. Pode ser que ele ainda ecoe por um tempo. Vou aguardar. Espero, algum dia, sentir alguma reverberação por qualquer coisa que eu tenha escrito aqui. Se não acontecer, não faz mal. Já aproveitei o suficiente enquanto durou. Agradeço a todos que leram qualquer coisa aqui. Aos que estão chegando agora, bom proveito.

Vale lembrar que TODOS os 1001 Discos já estão comentadinhos um por um. Na livraria. Passe lá e compre o seu livro. Divirta-se.

Porque, me desculpe, mas eu tenho mais o que fazer.




" Eu quis cantar
Minha canção iluminada de sol
Soltei os panos
Sobre os mastros no ar
Soltei os tigres
E leões nos quintais
Mas as pessoas da sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer...

Mandei fazer
De puro aço luminoso punhal
Para matar o meu amor e matei
Às 5 horas na Avenida Central
Mas as pessoas da sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer.. "



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domingo, 30 de novembro de 2008

1001 Discos - 0010


Björk
Medulla
(2004)

DRAMÁTICO

* me.du.la s.f. 1 a parte interior ou profunda de uma estrutura animal ou vegetal 2 fig. a parte mais interna ou central, âmago

O álbum de hoje destoa completamente de tudo que já ouvi na vida. Na mais pura acepção da palavra. A Björk é um ser bizarro, supra-humano. Digo isso sem nenhuma conotação teológica ou hierárquica (...vocês me entenderão...) Mas isso faz todo sentido, talvez não só pela coragem e pela forma de se expressar mas também, pela maneira com que ela conduz todos os seus projetos pessoais.

O som desse álbum te transforma. Através dele, Björk nos faz lembrar o quanto nossa vida é dramática. Não existe algo melhor ou pior. O que é bom sempre poderá ser melhor e o que está ruim pode piorar. Sem maiores contornos, sem nenhuma frescura, sem "meias-palavras". E você não tem controle algum sobre isso. Não existe esse controle, assim como não existe ordem, nem sentido algum em nada, nem regras a serem seguidas. E não adianta muito ficar procurando justificativas pra isso tudo. Porque, sendo muito otimista, é mais provável que você complique e, sendo mais realista, a tendência é que você só piore todas as coisas.

Algumas faixas nem parecem música na forma com que a maioria das pessoas está acostumada. Naturalmente, é bom deixar claro que me incluo nesse grupo. Ao mesmo tempo, a música é tão comovente, é algo que grita de uma forma tão pura e humana à nossa alma que não há como desmerecer tal obra de arte. Ao mesmo tempo em que é, ele não é música, em sua forma conceitual e estrutural. Ele arebenta com conceitos pré-concebidos na mesma proporção em que se auto-define de maneira radical. Trata-se de algo que, na verdade, transcende a realidade de tudo que a maioria de nós conhece como música.

Uma idéia já bastante concreta que eu possuía em relação à música era a de que ela é algo primariamente voltado para pessoa se divertir. Era. Pra mim, isso agora não existe mais. O "Medulla" com toda sua leveza e simplicidade, fulminou, dinamitou algo que eu possuía como muito verdadeiro e concreto marcado profundamente na minha identidade, no meu coração.

Descobri em Björk a minha antítese. O oposto. O timbre da voz dela parece atingir direto nossa espinha dorsal. E não há que se duvidar da existência desse universo paralelo, totalmente avesso ao nosso.

Para se entender melhor o por quê de tudo isso que estou dizendo é de suma importância que se atente ao seguinte detalhe, um aparente absurdo: a "base musical" desse disco é extremamente SIMPLES.

Sério, acredite! Quando digo simples, é simples DE VERDADE. O álbum inteiro foi feito utilizando como base o aparelho vocal e a respiração. Isso mesmo, só VOZ e SUSSUROS. Inspiração e expiração. Não há maneira de se soar mais humano, mais carnal do que essa. Uma ou outra faixa possui um sintetizadores ou samples aqui e acolá. Mais nada. Algumas melodias são absurdamente lindas e podem até soar coerentes aos nossos ouvidos, mas isso somente à primeira vista. Porque é um desafio enorme você tentar conceber um ser humano explorando a própria voz com tamanha elasticidade.

A seqüência das músicas é cuidadosamente elaborada alternando músicas bem lentas e minimalistas (algumas somente com voz
à capella) e outras músicas mais agitadas com sons chocantes de expiração e inspiração e beat-box. Todas as camadas vocais meticulosamente encaixadas e formando uma harmonia bem diferente do habitual. Aliás, essas camadas são um aspecto muito muito importante desse disco. Como ele é inteiro gravado praticamente só com vozes, as interessantíssimas sobreposições vocais são detalhes que não passam despercebidos de forma alguma.

Se você tiver a ousadia de escutar esse disco de peito aberto, sem criar nenhuma barreira, você passará por uma transformação. A realidade musical desse álbum é totalmente distinta e incomum. A experiência de descobrí-lo é ímpar. Mas, fica o alerta. O golpe pode, e, sem dúvida vai, atingi-lo muito, mas muito mais profundamente do que você sonha imaginar.


* dra.má.ti.co adj. 3 que causa aflição ou emoção; comovente

Medúlla
Studio album by Björk
Released August 30, 2004 (UK)
Recorded Greenhouse (Iceland),
Estúdio Ilha Dos Sapos (Brazil),
La Hoyita Studios (Spain)
Genre A cappella, Beatboxing, Folk, Alternative, Avant-garde music, Throat singing
Length 45:40
Label US: Atlantic Records, One Little Indian
Producer Björk, Mark Bell, Valgeir Sigurðsson


All songs written by Björk unless otherwise noted.

1. "Pleasure Is All Mine" (Björk, Tagaq, Mike Patton) - 3:26
2. "Show Me Forgiveness" – 1:23
3. "Where Is the Line" – 4:41
4. "Vökuró" (Jórunn Viðar, Jakobína Sigurðardóttir) – 3:14
5. "Öll Birtan" – 1:52
6. "Who Is It (Carry My Joy on the Left, Carry My Pain on the Right)" – 3:57
7. "Submarine" – 3:13
8. "Desired Constellation" (Björk, Olivier Alary) – 4:55
9. "Oceania" (Björk, Sjón) – 3:24
10. "Sonnets/Unrealities XI" (Björk, Cummings) – 1:59
11. "Ancestors" (Björk, Tagaq) – 4:08
12. "Mouth's Cradle" – 4:00
13. "Miðvikudags" – 1:24
14. "Triumph of a Heart" – 4:04
15. "Komið" (Japanese bonus track, iTunes release) – 2:02

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sexta-feira, 28 de novembro de 2008

1001 Discos - Edição Especial nº1

Preâmbulo



É difícil precisar onde e quando tudo começou. Certamente já faz um bom tempo. Para cravar uma data específica jogo aí um ano, fácil. Dezembro de 2007. Pois já faz, no mínimo, um ano que estou planejando desenvolver esse "projeto" pessoal dos 1001 Discos.

Tudo começou quando, em visita à uma livraria, me deparei com o livro "1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer". A paixão foi instantânea e conseqüentemente o desejo de adquirí-lo. No entanto, depois de folheá-lo me bateu a real. O livro é todo ilustrado, colorido e é bem robusto. "Deve ser uma nota preta, uns cem reais tranqüilo", pensei. Passei no "Códi-Barra". Não era. Não custava nem 40 reais. Eu fiquei branco, amarelo, azul, de tanta vontade de comprá-lo. Mas, na época, eu já havia comprado muitos livros, estava com o orçamento apertadíssimo e não deu para comprar. O autoconsolo me consumia: "Não há de ser nada... Já abri mão de ter tanta coisa, um livro a mais, um a menos não vai fazer tanta diferença assim...". Contudo, a verdade era que eu queria muito ter aquele livro.

E não é que o papai noel é mesmo um cara muito generoso e esperto e além de tudo rápido??? No meu caso, uma mamãe noel, ou melhor, (será que existe) a "namorada" noel??? Não sei ao certo, mas essa "namorada noel" marcou muito bem o presente e eu ganhei o danado do livro no Natal do ano passado. Você acha que eu fiquei feliz? Pense um pouco e tire as suas conclusões. Ela nunca, eu disse NUNCA, erra!!! (L)

Finalmente com o livro em mãos, tive o prazer de ler com mais calma. É engraçado. Isso deve acontecer com 99% das pessoas que compram esse livro. Todo mundo folheia o livro primeiro atrás dos discos que gosta e que já conhece muito bem. Não fugi à essa "estatística". Procurei cada um dos álbuns da minha discoteca para ver o que o crítico musical tinha a falar sobre ele. Legal. Entretanto, já começava a desenvolver o olhar crítico sobre o livro e pensava: "Humpf! A Wikipedia dá um banho de informação em qualquer resenha dessas...". Depois de ler repetitiva e exaustivamente diversas críticas sobre os álbuns dos Beatles, Pink Floyd, Queen, Genesis, Yes, Black Sabbath, Jimi Hendrix, Miles Davis, Led Zeppelin, Radiohead, U2 entre vários, vários outros eu percebi algo que acabou sendo o "ponto de mutação" na minha forma de enxergar esse livro.

Percebi que o pouco que eu conhecia dos discos que estão neste livro não chega a 20% do total. O fato é que eu caí na real. O livro me deu um baile. Vi que tinha muita coisa que devia ser de altíssima qualidade mas que eu desconhecia ou ignorava completamente. E outro detalhe.

De que adianta um livro que fala de música? Livros são mudos. O livro não canta, não toca, não faz nada. Por mais que o cara escreva bem e descreva o som com os melhores adjetivos possíveis isso não substitui e nem desobriga o leitor a escutar o disco para concordar ou até discordar da visão do autor. Pensei ainda. "Será que eu vou usar esse livro apenas para ler sobre discos que já conheço?". Obviamente que não.

Na verdade a idéia é muito simples. Basta que se leia atentamente o título do livro: "1001 Discos para ouvir antes de morrer". Leia de novo, com atenção. [...] . Mais uma vez. [...] . Captou? Não está escrito "1001 Discos para "se ler sobre" antes de morrer" ou "Meia Dúzia-de-Discos-que-você-já-conhece-mas-que-acha-que-precisa-saber-mais-alguma-coisa-sobre-eles-antes-de-vestir-o-pijama-de-madeira". Nada disso! É "1001 Discos para OUVIR antes de MORRER". Porque isso só vai fazer diferença se você gosta realmente de música e tem sensibilidade para a coisa. Se você não gosta ou se para você não faz diferença, eu sinto muito. Você está perdendo uma bela fonte de cultura e diversão.

Mas se do contrário, você se importa em ampliar seu conhecimento, sua cultura, se você deseja explorar novos universos, visitar novas e "antigas" culturas, se você quer viajar no tempo, de repente se sentir plenamente na década de 50 ou 60, para isso não há aditivo que o faça viajar melhor do que a própria música. Duvida?


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Ótimo. Mas como a jornada é muito longa (são 1001 discos, um por dia, quase três anos) e o tempo é corrido, mais adiante comentarei com mais detalhes sobre como estou desenvolvendo o projeto, a seleção dos discos, algumas estatísticas interessantes que estou desenvolvendo e mais "causos" pessoais para ilustrar um pouco o ambiente. Tudo com bastante calma e paciência e, se possível, com uma bela trilha sonora ao fundo.

Agora, pra finalizar...

Claro que nesse post não poderia faltar um detalhe importantíssimo!!! UMA SURPRESA!!!

E quem não gosta de uma boa surpresa? Então, quem se interessar em ter um acesso mais facilitado às musicas e aos álbuns que estão sendo aqui comentados, peço a gentileza de deixar um comentário aí embaixo (se possível com o email, por favor). Os álbuns ficarão hospedados POR TEMPO LIMITADO em um servidor público gratuito. Para ser mais prático, dá até pra ouvir cada música online (em streaming) ou seja, SEM necessidade de DOWNLOAD. Se necessário for, passo mais instruções em outro post. Reclamem se sentirem qualquer dificuldade. Deixando também frisado que, caso alguém se sinta lesado por isso, basta deixar um aviso, que as medidas necessárias serão imediatamente cumpridas.

Visite nossa "nova" página clicando aqui -> usinadopensar
(Só não se esqueça: antes de mais nada, PEÇA JÁ a sua senha!) :P

Isso dito,
Solta o som...




" Quem Anda, sabe Dançar / Quem Fala, sabe Cantar "

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1001 Discos - 0009


Donovan
Sunshine Superman
(1967)

Quebrando barreiras

O movimento psicodélico em sua forma mais pura e crua. Essa frase resume bem o conteúdo deste álbum. O som não engana. Você ouve a primeira música e sabe que aquilo é a década de 60. Particularmente o seu final, experimental e psicodélico. Dentro de uma arquitetura "folk", Leitch (vocal) canta melodias que lembram muito às da fase final (minha preferida!) dos Beatles. A influência da cultura oriental é nítida quando se ouve a cítara em "Three King Fishers" e em "The Fat Angel".

Não há dúvidas de que muitos artistas beberam dessa fonte e provavelmente deve ser esse o aspecto mais importante desse disco. The Beatles, Led Zeppelin, Jimi Hendrix, The Doors, Janis Joplin, Pink Floyd e diria até artistas ímpares como Bob Marley e Bob Dylan foram influenciados por essa obra. Isso fica muito claro quando se observa conteúdo musical desse disco em conjunto com o contexto histórico do momento no qual foi lançado.

No Brasil, o impacto não deve ter sido menor. É nitido que esse álbum influenciou movimentos culturais no Brasil, sobretudo a Tropicália. A utilização de instrumentos de cordas em canções folk e algumas dissonâncias entre os instrumentos são alguns dos elementos que nos dão essa dica. Claro que não necessariamente formam a espinha dorsal de cada um desses movimentos nacionais. Mas que diversas idéias provindas do movimento folk-psicodélico foram aproveitadas aqui, disso não há dúvida.

Trata-se de um disco gostoso de se ouvir, bem folk anos 60. Algumas faixas me dão a sensação de voltar àquela década (força de expressão, no meu caso, uma real vontade de ter vivido), como se eu estivesse acampado com os amigos, na beira de uma bela fogueira, com alguém tocando um bom violão e cantando lindas melodias e o resto da galera improvisando alguma coisa com um instrumento qualquer. Todo mundo curtindo na moral, sem preocupações, sem atritos pessoais, nada...



Sunshine Superman
Studio album by Donovan
Released September 1966
Recorded Jan–May 1966, Columbia Recording Studios, Hollywood, California
Abbey Road Studios
Genre Folk rock, psychedelic rock
Length 42:59
Label Epic LN24217 (Mono)/ BN26217 (Stereo)
Producer Mickie Most

All tracks by Donovan Leitch.

Original album (U.S.)

Side one

1. "Sunshine Superman" (single edit) – 3:15
2. "Legend of a Girl Child Linda" – 6:50
3. "Three King Fishers" – 3:16
4. "Ferris Wheel" – 4:12
5. "Bert's Blues" – 4:00

Side two

1. "Season of the Witch" – 4:56
2. "The Trip" – 4:34
3. "Guinevere" – 3:41
4. "The Fat Angel" – 4:11
5. "Celeste" – 4:08

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quinta-feira, 27 de novembro de 2008

1001 Discos - 0008


Dinosaur Jr
You're Living All Over Me
(1987)

" Faça aquilo que é direito, acabe agora com seu preconceito "

Cada vez mais estou notando o quanto eu ignorei o lado alternativo do rock das décadas de 80 e 90. O pouco que eu conheço de rock dessa época está praticamente restrito ao heavy metal, hard-rock e pop-rock. Noto também o quanto nosso gosto musical é viciado e tem preconceito. Poucas vezes paramos para arriscar a ouvir algo que, de antemão, achávamos que poderíamos não gostar.

Dinosaur Jr. está nessa lista. Se dependesse do andar normal da carruagem eu, sinceramente, nunca escutaria essa banda na vida. Não me identifico com o movimento punk e sempre mantive distância de suas músicas também, assim como modernamente o indie não me apetece muito. Mas a gente amadurece.

Aprendi uma coisa simples. Pra ouvir punk não precisa SER punk, e assim sucessivamente para os outros gêneros. É claro que a internet e os mp3 dão uma mãozinha nesse caso e talvez seja esse o lado mais espetacular da internet. Você tem acesso, você pode degustar e se gostar você compra. Porque é gostoso comprar algo que você gosta. Mesmo que seja um CD do qual você já tem os mp3. Se você gosta muito, compre. A sensação de curtir o álbum é totalmente diferente. Ainda não tive oportunidade de comprar esse disco do Dinosaur Jr. Mas ele acaba de entrar na minha lista.

Confesso que preciso ainda escutar bastante para me acostumar com o vocal punk. O timbre de voz, a parte melódica da música e alguns outros detalhes
que ainda me causam certa estranheza. Mas muito menos do que no passado. Além disso, esse álbum compensa e muito pela guitarra. A terceira faixa do disco "Sludgefeast" é espetacular. Eu nunca tinha ouvido um punk/indie com solos de guitarra. Ficou genial. Na segunda faixa "Kracked" o guitarrista arrebenta muito no wah-wah.

Os riffs lembram mesmo um Black Sabbath dos velhos tempos, tipo Sabbotage e Sabbath Bloody Sabbath. Essa é uma excelente fórmula para se fazer um bom disco: mesclar elementos de gêneros relacionados, mas de épocas distintas. Ficou muito pesado mas sem perder a tônica punk contemporânea.


You're Living All Over Me
Studio album by Dinosaur Jr.
Released December 14, 1987
Recorded 1987
Genre Indie rock
Length 39:21
Label SST Records
Producer Wharton Tiers

All songs written by J Mascis unless otherwise noted.

1. "Little Fury Things" – 3:05
2. "Kracked" – 2:51
3. "Sludgefeast" – 5:14
4. "The Lung" – 3:51
5. "Raisans" – 3:48
6. "Tarpit" – 4:33
7. "In a Jar" – 3:26
8. "Lose" – 3:08 (Lou Barlow)
9. "Poledo" – 5:40 (Lou Barlow)
10. "Show Me the Way" – 3:45 (Peter Frampton)*

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quarta-feira, 26 de novembro de 2008

1001 Discos - 0007


Miles Davis
Bitches Brew
(1970)

Directions In Music By Miles Davis

Nesse início da minha jornada pelos 1001 Discos já tive a sorte e o privilégio de passar por ótimos álbuns e algumas boas surpresas. Isso até era de se esperar. Mas nenhum desses causou em mim tanto frissom e se constituiu como um elemento tão desafiador quanto o álbum selecionado de hoje.

Miles Davis é um ícone do jazz. Primeiramente, por sua carreira como grande músico que se estendeu por quatro DÉCADAS e em segundo lugar, por todos conceitos dentro da formalidade musical que ele foi capaz de transformar ao longo desses quarenta anos.

Pouquíssimos músicos de jazz tinham a capacidade de liderança de Miles, algo que o favoreceu muito, porque ele, durante toda a carreira, teve o cuidado de escolher sempre os melhores músicos/instrumentistas para execução dos seus álbuns. Quando eu digo "melhores músicos", leia-se: Red Garland, Paul Chambers, Philly Joe Jones, Julian "Cannonball" Adderley, John Coltrane, Wynton Kelly, Bill Evans, Jimmy Cobb, Wayne Shorter, Chick Corea, John McLaughlin, Dave Holland, Herbie Hancock, Harvey Brooks, Lenny White, Jack DeJohnette, Larry Young, Joe Zawinul, Billy Cobham, Airto Moreira, entre inúmeros outros. Outro ponto é importante ser frisado: praticamente todos esses músicos tem, ou ao menos tinham na época, as suas carreiras-solo muito bem consolidadas.

É como se montassem um time de futebol dos melhores jogadores do mundo, mas não para um amistoso qualquer, e sim para jogar uma Copa do Mundo. Ainda nessa analogia, para se ter uma idéia de sua importância, Miles Davis seria, ao mesmo tempo, o técnico, capitão e também o craque "maestro" do time.

O álbum "Bitches Brew" faz parte de uma fase já bem avançada da carreira de Miles Davis. Quando se reuniram para gravá-lo Miles já era um músico consagradíssimo (basta que nós lembremos que "Kind of Blue" foi lançado em 1959) ainda que, mesmo antes de "Kind of Blue" Miles já gozasse de bastante respeito no circuito do jazz. No entanto, foi justamente em "Bitches Brew" que ele, aproveitando toda essa liberdade, resolveu estender a sua capacidade ao limite máximo. Isso, no vocabulário de Miles Davis, significa fazer uma verdadeira revolução. Resultado: esse álbum abriu diversas fronteiras e deu início a uma nova fase no desenvolvimento do jazz. Como Miles Davis fez isso?

Entusiasmado com a vertente psicodélica e experimental do rock do final da década de 60, principalmente com Jimi Hendrix, Miles Davis resolveu aplicar a fórmula dentro do formato do jazz. Naturalmente, isso causou muita polêmica principalmente por parte da crítica especializada em jazz da época, sobretudo em sua vertente mais conservadora. Por que?

Miles foi o primeiro a utlizar instrumentos elétricos em uma gravação de jazz. Isso ia muito contra os princípios de que o jazz deve ser acústico, com instrumentos rústicos, com sonoridade natural. Outra: Miles foi pioneiro em relação a edição das músicas em estúdio. Em "Bitches Brew" algumas partes das músicas são apenas "loops" (repetições) criados artificialmente com técnicas de estúdio. Isso é evidenciado principalmente em "Pharaoh's Dance" e na faixa título "Bitches Brew".

Trata-se, portanto, de um álbum riquíssimo, mas que para ser bem apreciado sem dúvida requer um pouco de maturidade. As músicas são bem longas, compostas de maneira dissonante, com ritmos sincopados formando de uma arquitetura bem complexa. Mas, sem dúvida, a viagem vale a pena.

Conforme a própria capa do disco sugere é um mergulho surreal no mundo do jazz. Basta que você abra sua cabeça e dê a si mesmo a chance de ouvir "os caminhos da música, segundo Miles Davis".


Bitches Brew
Studio album by Miles Davis
Released June 1970
Recorded August 19–21, 1969
January 28, 1970 (Bonus track)
30th Street Studio
(New York, New York)
Genre Jazz, fusion, avant-garde jazz
Length 94:11 (Original LP)
106:01 (CD Reissue)
Label Columbia/Legacy GP-26
Producer Teo Macero


All pieces were written by Miles Davis, except where noted.

Side one

1. "Pharaoh's Dance" (Joe Zawinul) – 20:06

Side two

1. "Bitches Brew" – 27:00

Side three

1. "Spanish Key" – 17:34
2. "John McLaughlin" – 4:26

Side four

1. "Miles Runs the Voodoo Down" – 14:04
2. "Sanctuary" (Shorter) – 11:01

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