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terça-feira, 12 de outubro de 2004

Osama acabou com o 'happy end'

Eu já escrevi aqui que o atentado às torres em NY foi um show de cinema. Foi um massacre onde a visibilidade era essencial para o bom resultado.

Baudrillard também disse isso, mas escrevi antes, modestamente. Era necessário que tudo fosse visto, ao contrário, por ex, do holocausto, quando a ocultação dos fornos era fundamental.

No 11 de setembro, não. Era preciso que ficasse gravada aquela cena do que vai se repetir por toda a eternidade, mostrando o dia em que tudo mudou para sempre.

O que Osama inaugura em 11 de setembro foi um período histórico sombrio de "desconstrução". Bush aproveitou o pretexto e iniciou também a desconstrução da democracia americana, há tanto tempo desejada por seus mentores, como Karl Rove, Cheney e outros. Para isso, ele passou a usar a "política do medo" e a explorar o fato de que é insuportável para o americano problemas não resolvidos. Eles tem de "resolver" os problemas e, no caso das torres e de Osama ,não há solução possível. Já era. Eles pensavam: "Aqui está tudo sob controle, tudo tem princípio meio e fim e termina como nós queremos."

Osama criou um problema insolúvel com o terrorismo suicida. Osama acabou com o conceito de "happy end". A "cultura da certeza" americana foi humilhada por Osama.

Ninguém pode controlar essa guerra sem rosto. Diante dessa impotência, Bush e a direita partiram para um monolitismo paranóico, masoquista, partiram para rever todas as complexidades democráticas, como se elas fossem formas de "fragilidade", de vulnerabilidade, buracos por onde poderia entrar o inimigo.

Todos os movimentos, de um lado e de outro, são regressivos. Osama quer voltar a um islã fundamentalista e, assim, estimula a direita americana de Bush a rever os avanços ocidentais. A direita cristã no poder quer a volta do ego sem inconsciente, quer a volta de Adão e Eva e do homem mínimo diante de Deus. "Give me that old-time religion!"

Não há retorno para o que já está acontecendo. Marx diz que "a economia é uma espécie de luz que dá a coloração do momento histórico, onde tudo acontece com algum reflexo dela". Osama não veio por acaso do deserto. Nem Bush. Ambos são os fetos de um ventre histórico grávido a partir do capitalismo mudado pela globalização, ambos são frutos de um capitalismo gelado, financeiro, não produtivo, que se esvazia a si mesmo, um capitalismo que se auto-aliena e que favorece a manipulação política por gangues como a de Bush.

Só que Osama anseia por um divinismo restaurado. E Bush, em nome de um Jesus mecânico, quer ser o comandante de uma era morta para a razão. Ambos desejam arrasar com uma realidade mundial multiprodutiva, global, inapreensível, o que faz as massas desejarem uma uniformização, algum simplismo ideológico ou clareza religiosa. Ambos desejam redirecionar o progresso e aprisioná-lo num esquematismo religioso e obscurantista. O obscurantismo e a ilusão religiosa são uma vontade mundial. Osama e seu fiel criado Bush vêm satisfazer essa necessidade. Eles vieram para encerrar qualquer esperança platônica, vieram para negar todos os livros, todos os quadros, todos os avanços realmente democráticos que poderiam criar uma revolução laica no futuro, quase a realização de um sonho meio "nietzschiano" de um viver "artístico", um presente dançante e inventivo, sem paraíso, mas também sem desespero.

Assim como o islâmico bate com a cabeça no Corão, nas "madrassas" onde aprendem a ser homens-bomba, Bush (e seus asseclas) quer se vingar dos inteligentes, dos bons alunos que o desprezavam em Yale, onde ele assistia às aulas de ressaca e arrotando de tédio, como nos contam seus professores.

Osama e Bush vieram para trazer de volta a paz da ignorância, o sossego da estupidez, a calma da fé em Alá ou Jesus, eles vieram para nos trazer de volta a proibição, a repressão. A democracia angustia as massas ignorantes.

Assim como Osama quer criar o califado de Alá, quer impedir que o Ocidente continue a poluir a pureza do islamismo "waabista" que ele professa, ameaçado pela nossa liberdade e libertinagem, o Bush quer impedir a continuação da grande e verdadeira América que terminou com Clinton, uma América autocrítica, buscando um diálogo multilateral com o mundo.

Durante o debate, havia momentos em que Kerry soava quase nostálgico, querendo defender os valores maiores ocidentais, europeus, etc... Bush arquejava, arfava de impaciência diante das palavras mais complexas do opositor democrata. Enquanto o Kerry falava de um futuro "em aberto", um processo e não uma "solução", Bush se defendia com palavras mágicas, holísticas, fervorosas como: "No fundo do coração eu acho... Eu creio, eu tenho certeza que...." Bush discutiu sem nenhum embasamento sob seu desejo, apenas a reafirmação da teimosia de achar que tem de perseverar no erro para resolver o problema. Senão houver solução para o terror, que a América seja então trancada num "shelter" mais profundo, que o Desejo seja uniformizado, que a democracia tradicional seja limitada, para que uma nova nação "forrest-gumpiana" floresça, medíocre e sinistra. Bush quer enterrar a era da autocrítica e dos direitos civis, que existiu até Clinton, último filho dos anos 60, até que foi finalmente esmagado por Ken Starr e pela boca traidora da republicana Monica. E agora esse flagelo deve vencer as eleições. Nos USA, não há apenas uma campanha política. Há um golpe de direita em andamento contra a democracia dentro e fora de casa. God save America.

Arnaldo Jabor - estadao.com.br - Caderno 2 - [05/10/2004]

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Lição de humanidade

Vi o documentário sobre o desastre com o Concorde, em Paris, que matou mais de 100 pessoas, em não me lembro mais qual ano. Foi o início do fim do primeiro supersônico disponível na aviação comercial. Pouco depois, os Concordes que sobraram foram retirados de circulação e parece que destinados a museus e exposições.

Não foi o custo do aparelho nem o alto preço das passagens para se voar nele que motivaram a sua aposentadoria. Tampouco o desastre em si, uma vez que qualquer homem e qualquer coisa por ele produzida estão disponíveis ao desastre.

O que espantou os especialistas foi a insignificância da causa que provocou a catástrofe. Ao rolar na pista para a decolagem, um dos pneus do aparelho foi cortado por uma pequena peça metálica, de 40 centímetros, desprendida de um outro avião que decolara pouco antes. O piloto do Concorde não poderia ver objeto tão pequeno e aparentemente tão inofensivo.

A peça fez explodir um dos pneus das rodas que estavam sendo recolhidas. Um pedaço do pneu bateu com violência na asa esquerda, fazendo um furo, pelo qual saiu o combustível, logo inflamado por uma fagulha. Menos de dois minutos após a decolagem, mais de cem mortos, a poucos quilômetros do aeroporto De Gaulle.

A desproporção entre a causa e o efeito me horrorizou. As criações mais sólidas do homem, que parecem indestrutíveis, perfeitas, costumam ir para o brejo por motivos banais, como o iceberg que afundou o Titanic. No caso do Concorde, a tecnologia da época era bem mais adiantada. Mas o resultado foi o mesmo. Os dois casos são uma lição de humildade que habitualmente esquecemos não apenas na vida pública, mas na vida pessoal de cada um de nós.

Carlos Heitor Cony, FSP, 12/10/2004

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domingo, 10 de outubro de 2004

Catarro Verde

Encheu o saco de ler esses meus post estranhos, complexos, em inglês? Tem algo bem acessível e espontâneo à tua disponibilidade!
Dá uma olhada, ok?!
Vale a pena...

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sábado, 25 de setembro de 2004

Lavar as mãos

O sistema educacional autoritário sempre transferiu para o aluno a culpa e a responsabilidade por seu mau desempenho, com o instituto da reprovação. Como se os governantes, os diretores das escolas, os professores, não tivessem nenhuma responsabilidade com o desempenho insuficiente de seus alunos.

Em países onde a educação é prioridade, o efeito perverso da reprovação se concentra na criança que não aprendeu o suficiente para a sua idade, e na família que não deu a ela a atenção devida. O Estado fica tranqüilo, porque o efeito negativo da reprovação fica limitado à criança, e não se espalha pelo sistema educacional.

Mas em países como o Brasil, onde a reprovação é endêmica, apesar das baixíssimas exigências apresentadas pelas provas, o efeito da reprovação não é meramente familiar, ele se espalha por toda a sociedade. Mesmo assim, o Estado lava as mãos.

O problema se agrava porque reprovação provoca mais reprovação: ao ficarem para trás, sem acompanhar os colegas de sua idade, sentindo-se deslocados entre crianças mais novas, os alunos reprovados abandonam a escola depois da segunda ou terceira reprovação.

Alguns voltam a estudar quando adultos, outros nunca. O prejuízo para o Brasil é imenso. Estima-se em R$ 5 bilhões o custo direto do represamento dos que se mantêm na escola, e é incomensurável o custo daqueles que a abandonam.

Assim surgiu a promoção automática, sob a orientação de uma pedagogia moderna que, coberta de boas intenções, retira da criança e da família a responsabilidade da reprovação.

Novamente o Estado lava as mãos. Retira-se a responsabilidade da criança e da família, mas nem o Estado nem a escola a assumem. O problema desaparece por decreto. Deixa de ser considerado, mas não deixa de existir.

O aluno continua reprovado por seu baixo aprendizado, apenas carrega sua reprovação à série seguinte. Ele é incentivado a permanecer na escola, porque acompanha colegas da mesma idade, mas não acompanha o aprendizado.

O resultado é trágico para o Brasil. Ao invés de a criança abandonar a escola, a escola abandona a criança. Ninguém assume a responsabilidade - nem criança, nem família, nem escola, nem Estado. E o Brasil paga o preço de um futuro comprometido.

O caminho está em combinar a moderna pedagogia com a responsabilidade educacional plena. Deixar de lavar as mãos. Não reprimir a criança, mas deixar de mentir para ela, para a família, para a escola e para o país, com uma aprovação injustificada.

A criança deve acompanhar seus colegas de idade até a série seguinte, mas sem ser aprovada. Ela fica com a obrigação, juntamente com sua família, de receber um acompanhamento extra, em horário especial depois da aula.

Assim, a criança que não aprender o que os amigos aprenderam é incentivada a continuar na escola, mas não é premiada por não ter estudado. A família não é penalizada com a reprovação, mas tem a obrigação de dar mais atenção à criança.

Isso já foi testado com sucesso. Entre 1995 e 1999, no governo do Distrito Federal, a escola pública adotou um sistema de ciclos que permitia à criança reprovada ser promovida à série seguinte, sem no entanto ser aprovada. Para que esse sistema funcione, porém, é preciso que o Estado e a escola assumam suas responsabilidades, e parem de lavar as mãos.

Deixem de transferir a culpa para as crianças, ou de liberá-las da responsabilidade de acompanhar as aulas e estudar. Abandonem a opção pelo abandono, pelo "deixa para lá", e assumam seu compromisso com o futuro e com a educação.

Cristovam Buarque

(Jornal do Commercio, Recife, 24/9)

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domingo, 5 de setembro de 2004

This day is a special day

This day is a special day,
It is yours.
Yesterday slipped away.
It cannot be filled with more memory.
About tomorrow nothing is known.
But this day, today, is yours.
Today you can make someone happy.
Today you can help another.
This day is a special day.
It is yours.

-Ancient Indian poem

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quarta-feira, 25 de agosto de 2004

A Importância da Educação

" Se os teus projetos forem para um ano, semeia o grão. Se forem para dez anos, planta uma árvore. Se forem para cem anos, instrui o povo." (Provérbio chinês)

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